Como o estresse pode prejudicar seu sono

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estresse e sono

O sono de qualidade é um santo remédio!Sim, essa afirmação é totalmente fundamentada. Dormir bem, realmente, pode trazer inúmeros benefícios para a saúde física e mental.

Só para ter ideia, dormir entre 6 e 8 horas diariamente pode melhorar a atenção, raciocínio e memória. Além disso, aumenta o vigor físico, relaxa a musculatura, previne o envelhecimento precoce, fortalece o organismo, otimiza o equilíbrio, auxilia no controle do peso e evita o mau humor e a irritabilidade.

Outra grande vantagem do sono reparador é a prevenção do estresse. Na verdade, o estresse pode atrapalhar o sono, e a falta de sono eleva as chances de ficar estressado, ou seja, a relação entre estresse e sono é íntima.

Afinal de contas, o que é estresse?

O estresse é uma condição que surge diante de situações novas às quais precisamos nos adaptar. É um momento de desequilíbrio que pode trazer consequências físicas e mentais negativas, embora nem sempre ele seja ocasionado por fatos ruins, como o diagnóstico de uma doença ou uma demissão. Até mesmo ocasiões festivas, como um casamento ou nascimento dos filhos podem ser um fator estressante.

As situações estressantes exigem um maior esforço emocional para serem enfrentadas, porém, se não tomarmos cuidado, o estresse pode dar início a um ciclo muito prejudicial. Funciona assim: você está estressado, o que não permite que você durma, então a falta de sono te deixa ainda mais estressado e isso vai se repetindo. É preciso quebrar esse ciclo!

O sono ajuda a combater o estresse?

Durante o sono, o organismo produz substâncias que fortalecem o sistema imunológico e ajudam o corpo a combater infecções, principalmente diante de algum fato gerador de estresse.

Como se não bastasse, dormir bem colabora na reparação de células que foram expostas a agentes poluentes, bactérias e estresse. Sendo assim, o sono não apenas previne e combate o estresse, como também, ajuda o organismo a se recuperar de ocasiões estressantes.

Como o estresse pode atrapalhar o sono?

Quem nunca acordou no meio da noite pensando em situações que exigem decisão, solução ou adaptação? Isso é muito comum em quadro de estresse. De fato, a dificuldade para pegar no sono ou dormir ininterruptamente é um dos principais sintomas de que a pessoa está estressada.

A sobrecarga de trabalho, o cansaço excessivo, mudanças na vida pessoal e a preocupação com problemas não solucionados podem provocar estresse e, consequentemente, atrapalhar as noites de sono. Isso acontece porque quando a pessoa está estressada, invés de desligar à noite, a mente fica repleta de pensamentos que inibem funções importantes na memória, relaxamento e reparação celular. Se o indivíduo não dorme suficientemente, o sistema imune falha, o corpo falha e o estresse surge.

Pessoas sob forte estresse podem apresentar baixos níveis de melatonina ocasionando a insônia de caráter inicial, onde o indivíduo custa a adormecer, porém nesses casos, o fator mais comum é a insônia do meio da noite, onde os níveis de adrenalina aumentam entre 3 e 4 h da madrugada em resposta ao estresse e predominam em relação aos efeitos do GABA, seu  neurotransmissor contrarregulador.

Prova disso é que, em um recente estudo conduzido pela Associação Americana de Pesquisa, 43% dos entrevistados alegaram que o estresse os fazem ficar acordados à noite, ou seja, pessoas expostas ao estresse são mais propensas à insônia.

O sono de qualidade pode reduzir o estresse?

Sim. Se você quer aumentar o bem-estar e a qualidade de vida, mandando o estresse para bem longe, procure dormir mais e melhor. Enquanto dormimos, o corpo reduz a produção de adrenalina e cortisol, o que diminui significativamente o estresse.

Outra característica frequente em pessoas sob forte estresse por períodos prolongados é a presença de dificuldade para despertar, ou mesmo falta de energia extrema. Esse fator pode ocorrer por uma redução drástica do nível de cortisol ao despertar( lembremos que se trata de um hormônio fundamental no controle do ciclo circadiano), tratando-se de provável esgotamento da produção desse hormônio nas glândulas adrenais sendo um quadro grave e de grave impacto na qualidade de vida. Medidas como meditação, controle do estresse, atividades de lazer e abordagem medicamentosa são fundamentais para reversão do quadro.

Dormir bem também reequilibra a produção de melatonina, conhecida principalmente pela sua relevância em relação ao sono, também é responsável por inúmeras outras funções como ser um potente antioxidante, papel na redução da obesidade, melhora da ação da insulina na célula e consequente redução da  resistência a mesma( prevenção do diabetes tipo 2 ), redução de determinados tipos e câncer de mama bem como melhora da resposta a determinados quimioterápicos.

Quer saber mais sobre a relação entre estresse e sono? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter, e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como fisiologista hormonal e dermatologista em São Paulo.

Postado por Dr. Daniel Stellin | CRM: 111.635

Dr. Daniel Stellin é um dermatologista graduado pela Faculdade de Medicina do ABC-São Paulo e pós-graduado em Fisiologia Hormonal Aplicada. Detém os títulos de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, Especialista em Infectologia pelo Hospital do Servidor Público Estadual e Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.